Antes da diversão, vamos aos atores principais dessa história que em breve virará filme:
K
"HORA DE MOFAR NNNN"
Sem ele a história não existiria, muito menos este blog ou este texto. SEJA GRATO, FDP, mas não deixe de comentar ou mandar dinheiro pelo correio.
Primo
"AC/DC é coisa de baitola. BAITOLA."
Único ex-soldado que nunca lutou em nenhuma frente de batalha. Seu único pecado é odiar AC/DC. Manja CQC e quer aprender a fazer a bomba.
***
Sexta-feira à tarde. Eu, meu tio e uma guria do cursinho que pega carona, subindo a avenida de carro, depois da aula extra de história.
Ok, se eu escrever apenas a partir desse ponto, ninguém vai entender nada. Vamos voltar no tempo até meados de 2008. O colégio que eu estudava era perto de casa e, como passei a minha vida toda andando ou de ônibus ou de perua, eu sempre pegava a minha bicicleta pra chegar lá. Eu a chamava de vingador malva. Mentira.
Enfim, eu sempre conseguia acordar uns 15 minutos antes do começo da aula e chegar lá a tempo, fazendo com que eu me tornasse um mestre cada vez mais sábio na arte da vagabundagem. E eu também voltava de bicicleta - dã -, e voltava tranquilo na vida, porque era uma descida e tals.
Certo dia eu tava descendo pra voltar pra casa e a corrente sai do lugar. É normal, até porque, eu só ando com marcha 3-7, a força que eu faço dá uma alargada e a corrente escapa mesmo. Quando isso acontece, eu simplesmente paro e coloco ela de volta no lugar. Mas naquele dia eu não fiz isso. Porra, era descida, eu não ia pedalar mesmo.
Até que eu sinto uma outra bicicleta perto da minha, e dois caras montados nela. Eles me ultrapassam e me fecham, um pula da bicicleta e fica na minha frente. Eu freio. Daí...
- Caralho, velho, quase te atrop
- Desce.
- Hã?
-Desce. ANDA MERMÃO, DESCE ANDA
Aí eu fiquei bravo e comecei a dar uma lição de moral no cara, ameaçando até de descer a mão nele.
- Ah, cara, faz isso não, plz LOL
- DESCE RAPA, TE ACERTO UMA DESCE CARALHO
- Tá né ._.
- Dá isso aqui que cê tá ouvindo também.
Sim, arrancaram o meu MP3 e saíram correndo. Acontece que o meu MP3 é sortudo: o FDP foi dar uma pedalada e quase caiu no chão - isso por causa da corrente, ele não era retardado. Tanto -, derrubando o meu MP3. Fiquei sem a bicicleta, mas pelo menos consegui pegar o MP3 de volta. Escrotos.
Dizem que todas as bicicletas roubadas aqui em Araraquara - como deve ser em todo o lugar, provavelmente - normalmente são desmontadas, as peças são vendidas, a pintura é riscada pros PMs não reconhecerem, etc. Dizem as más línguas que as bicicletas roubadas vão parar em um lugar que eu sempre passo quando tô voltando pra casa. É meio que lenda da cidade, as bicicletas roubadas SEMPRE vão parar naquela região.
Eu, pessoalmente falando, nunca acreditei nisso, e continuo não acreditando. Qualquer um pode roubar uma bicicleta, um mané do centro ou um mané da PQP, dá na mesma. Acontece que quando eu tava subindo a avenida, como dito acima, eu VI A PORRA DA MINHA BICICLETA. FDPPPPPP.
Um cara tava empinando ela. Eu NUNCA empinei ela. Caralho. Todo mundo sabe que estraga o aro e o quadro. O quadro, por sinal, tava preto, tinham riscado os adesivos e a minha corrente - que precisava de uma chave pra ser aberta - ainda tava lá.
- Olha a minha bicicleta roubada lá LOL
- Lá onde?
- Ali, com aquele cara lá.
- Tem certeza?
- Absoluta. Raiva.
Eu tive vontade de pedir ao meu tio pra parar o carro pra perguntar se ele tava curtindo.
- DAEW, tá andando bem ainda?
- Cara, tá bem mais ou menos, quer de volta?
Sonhos, sonhos. Fiquei com isso na cabeça o dia todo. Até que fui até a casa do meu primo hoje de tarde. Fazer o que? Instalar umas coisas no computador dele. Ele é tão foda que faz churrasco sem churrasqueira: usa uma cesta de compras e um pouco de lenha.
Quando eu tava lá, contei pra ele que tinha visto a minha bicicleta.
- Vam'bora - pegando a chave do carro
- Pra onde?
- Pegar a sua bicicleta de volta.
- Q
Finalmente alguém aparenta ter culhões nesta família, mas quando ele falou isso na hora, comecei a pensar nas palavras FODEU e CHUMBO.
- Mas calma ae, caralho. Cê vai querer invadir aquela porra?
- Lógico que não. Se não existe portão, o acesso é livre. Não chamo isso de invasão.
- Porra, é invasão. CÊ SABE INVADIR?
- Fica calmo, joguei Rainbow Six pra porra, velho. Mais de 1.000 horas de simulação e... Por que você tá chorando?
- )':
Tom Clancy, eu espero, do fundo do meu coração, que você morra empalado por um poste, seu escroto.
Tá aí, um novo slogan, vai. Rainbow Six: criando soldados lunáticos desde 1997.
Cá estava eu, indo de carro com o meu primo e seu bastão de baseball pegar minha bicicleta de volta. Algo me diz que ele teria passado no treinamento do BOPE, mas eu não vou nem dar essa ideia a ele... Vai que ele se anima de VERDADE e eu tenho que aturar um clone do capitão Nascimento.
Ele parou o carro do outro lado do lugar. Ficamos esperando escurecer um pouco pra entrarmos do jeito Big Boss da coisa. Óbvio que vários engraçadinhos passavam gritando casalzinho, casalzinho, ou vão prum motel, KAKAKAKAKA. Realmente, CÊS SÃO MUITO ENGRAÇADOS, FDPS.
Quando a luz da rua acendeu, nós saímos do carro. Entramos no estacionamento do lugar e ficamos olhando. Dá pra ver o que cada pessoa guarda na frente do apartamento, por razões de comodidade. Eu consegui enxergar algo que parecia ser uma bicicleta.
- Ó, acho que tá no terceiro.
- Certeza?
- Não sei, dá uma olhada. Tem duas rodas, parece, né?
- Certo. Vou subir.
- Tu não vai subir sozinho!
- Só tem um bastão, cê tá sem nada pra se defender, seu porra. Deixa isso comigo. Fica olhando se ninguém entra.
Como eu fui trocado de ator principal a coadjuvante assim, tão rápido?
- Aviso como?
- Sei lá, dá qualquer sinal.
- kkakakskAKAAKAK KUAAA KUAAA KUAAA AÓ AÓ
- Que porra foi essa, cara?
- Sei lá, um pássaro.
- Um pássaro CAGANDO SANGUE, só pode.
HAHAHASLKJDLSÇFJSLÇ
- Vou lá, fica de olho, cara.
- Certo.
Lá foi ele. Porra, juro que ele parecia uma sombra. Ou um espião de verdade, tanto que em um ponto, até eu perdi ele de vista.
Nesse momento, sinto uma mão no meu ombro. Eu pensando que seria estuprado, esquartejado, tiradentizado naquele exato momento, engulo seco e começo a pensar que deveria ter bebido mais em toda a minha vida.
Quando viro, era uma guriazinha, não passava de uns cinco anos. Praticamente uma placenta ambulante.
- Ahm... Oi?
- Moço, minha bola caiu embaixo daquele carro e eu não consigo pegar... ._.
- NHHHHHOUM. Mostra onde é que eu pego, tá?
- Tá!
Fui lá e tal, ajudei a guria. Até porque, sou um cara muito gente fina e gosto de entrar embaixo de carros.
- Tó, tá aqui.
- Êêêê!
- Mas vá lavar que tá suja, ok?
- Vou sim, brigada tio!
Pensei em dizer tio o caralho, não te batizei, mermão, mas não soaria tão bem. E, além disso, eu duvido que ela tenha assistido Sinhá Boça.
Quando a menina saiu da minha vista, eu parei e...
...
...
...
FUCK, EU DEVERIA ESTAR DE VIGIA
Corro que nem um quadrúpede embriagado, com toda a minha elegância e pré-disposição a exercícios físicos e olho pro terceiro andar. Avisto o meu primo fazendo um sinal pra mim.
Senta e roda, seu filho duma puta, era pra estar vigiando - ele gritava. Como podem ver, uma pessoa muito culta, pólida e educada.
A cena que eu vi a seguir, senhoras e senhores, foi uma das mais chocantes, purgantes, inimaginantes, marcantes, matrupulantes, esquisopardemantes da minha vida: ele pegou a bicicleta e, quando virou, o novo dono dela tava atrás dele. Aí eu entrei em cena, gritando o meu canto de acasalamento.
- KA cof, cof, porra, merda, engasguei. Preciso parar de fumar. KAKAKAAKSKAKKASKK KA KA KA CUÓ CUÓ CUÓ FDO PORRA ATRÁS ATRÁS FODEU
Ele se virou e os dois ficaram se encarando. Na minha imbecilidade, resolvi sair correndo pra servir de apoio. Por mais que eu nunca tenha participado de uma briga de rua na minha vida, orra, era meu primo lá. Quando eu tava praticamente na entrada, só consigo ouvir uma coisa:
- POW - Ok, isso era pra ser um barulho de batida. Foda-se.
- MEU JOEEEEEEELHO FILHO DUMA PUTA CÊ TÁ MORTO SEU AAAAAAAAAAAAAAARGH
Em seguida, vejo meu primo descendo as escadas de bicicleta. LOL.
- Caralho, caralho, vam'bora, ANDA.
- QUE FOI ISSO?
- O idiota sacou uma arma de água e eu pensei que fosse de verdade.
- E daí?
- Daí que estourei o joelho dele.
- LOOOOOL.
Saímos os dois correndo de lá, tacamos a bicicleta em cima do carro, com o cu na mão, lógico, e saímos cantando pneu até. Nunca vi alguém ir de 0 a 100 mais rápido que uma Ferrari.
- Caralho, cê estourou o joelho dele mesmo?
- Não, cara, cê acreditou mesmo?
- Porra, cê levou um bastão, como eu não iria pensar isso?
Pense bem, se ele tivesse levado um bastão de baseball e um KY, AÍ SIM eu estaria pensando merda.
- Não, não. Eu só usei o bastão pra empurrar ele e sair correndo. O próprio idiota tropeçou e deu o joelho com tudo no negócio da escada. O barato que você... O troço, o barato.
Dá pra ver que o nosso forte é o léxico.
- Corrimão?
- Isso! Deu com tudo lá e eu saí correndo.
- Hahahaslksjf, genial.
Foi nesse dia, senhoras e senhores, que nós brindamos com cálices de ouro, bebemos sangue de animais abatidos poucas horas atrás e cantamos nossas canções tribais ao redor da fogueira. Nós jantamos no inferno.
...
Ok, chegamos e pedimos pizza, ficamos jogando vídeo-game e bebendo suco, mas isso não vem ao caso.
Eu voltei pra casa com a bicicleta junto. Minha mãe tá perguntando até agora onde eu encontrei ela. Eu não conto a verdade nem fodendo. Aliás, esse tipo de história deve ser contada da maneira certa ou não deve ser contada de forma alguma.
Quem diria, meu primo, o cara que faz churrasco com uma cesta de supermercado, não sabe instalar o Photoshop e têm suas milhares pastas de pornografia totalmente a alcance de qualquer um, gerando inúmeras piadinhas, seria um espião treinando em CQC, praticamente.
Acho que é de família.
Eu, por exemplo, posso voar.
Não levanto voo no exato momento porque não quero.